sobre estrelas – evandro angerami

Dizem de algumas, que estão tão distantes, que quando seu brilho chega na Terra há muito já deixaram de existir… E uma vida humana é pouco, quase nada, para apreciá-las nessa escala de tempo.

Deixam de existir como estrelas, mas ainda existem como luz, de estrelas que foram, a viajar pelo espaço.

Uma estrela morre quando ela explode. E nessa explosão formam-se muitas coisas, e entre tantas outras os metais que conhecemos.

Então parte do ouro que hoje temos na Terra, foi formado numa explosão estelar no passado, cuja luz viajou na eternidade do espaço infinito. E assim entendo o ouro como fragmento de estrelas, como fragmento daquilo que virou luz no espaço. Infinito.

Aqui na Terra, planeta azul, um índio olha pro céu. No Rio Negro os índios Tukanos observam os astros, as estrelas, e o brilho daquelas que ja deixaram de existir como tal, que se tornaram ouro, que viajaram nos tempos, luz.

A folha seca cai no chão úmido da floresta. O fungo bioluminescente que nasce nela ilumina o caminho. O caminho iluminado é um espelho do céu. E o céu um espelho do próprio caminho, a ser trilhado nesse amalgama vivo de coisas estrelas que existem e deixam de existir, que viajam no espaço infinito, no tempo infinito, e que é fonte de luz, pura.

Iridescentes são folhas de ouro quando banhadas de luz. Poentes de estrelas. Caladas no silêncio do espaço. Tempo. Luz e silêncio.